Psicanálise: reflexão de uma estudante...

... e por falar em interpretação

Se instaura o impasse interpretar, construir.

Movimento que parte do particular, da palavra plena e desconhecida, do ego onde o inconscientemente emerge a uma elaboração contextual, formalizada a partir dos índices na tentativa de se fisgar a verdade.

Trabalho que traz a escuta como imperativo entre o dito e o dizer, do significante ao significado, abrindo espaço para o enigma e o mal entendido, preservando o sujeito em questão.

Atuar deste lugar sem se implicar em uma com (fusão) é a meta.

Difícil tarefa mesmo quando a postura é mais flexível, mesmo quando lidamos com as técnicas de exame. A partir de segmentos de comportamentos o sujeito que é submetido a determinados estímulos, nos traz pedaços da sua realidade, ou seja, registros psíquicos, representações significativas e imprescindíveis para apreendermos através da dinâmica de pequenas produções sua personalidade.

A validade desta abordagem perceptiva está que, em meio a um discurso lógico e formal vir permeado por determinações do inconsciente detectadas através das repetições.

E daí? Já estão desgastados jargões que se apresentam como sintomas histéricos, onde o discurso científico instaura também em repetições, compulsivas entretanto, se desgastando prol da pedagogia da clínica.

Mas, faz parte do percurso o discurso do aprendiz fazer laço ao discurso do mestre na busca do saber. Portanto, resta-nos apenas repetir, repetir até descobrirmos em toda esta metodologia que não existe método para analisar.

A questão está colocada. Não há outra forma de responder salvo a introdução de uma nova dimensão no campo da clínica. Sem técnicas e com a presença do sujeito que compõe a realidade a partir dos seus registros, dentro de uma dinâmica que lhe é familiar, o que torna fundamental é o emergir da ética. Ética livre por excelência de códigos e normas, mas principalmente, de atribuições delirantes onde aquele que interpreta cria um sentido distorcido e teorizado a partir de um enunciado que responde a um outro modelo.

Sob esta ótica, não existindo uma técnica da interpretação e sim ética, cabe ao analisando o sentido da sua fala. Aquele que está no lugar de analisar ou mesmo de colher dados, compete jogar com o equívoco, que pode ser usado de inúmeras formas. Assim a interpretação irá intrigar, instigar, deslocar a decifração para o lado de quem realmente deve responder por ela - o analisando.

Fato fundamental, pois o sentido foi retirado do seu próprio discurso e deverá ser reencontrado em uma associação que lhe é particular.

Em suma, a verdade é objetiva estando sempre com os analistas cara eu ganho, coroa você perde, se não se introduzir o sujeito em questão, se não o implicarmos e, somente ele no seu próprio dito.

Não importando se a interpretação é certa ou errada, mas sim do lugar que é feita.

Fontes: textos psicanalíticos e aulas sobre os vários temas sobre a psicanálise de Freud e Lacan.

Revista editada pela escola da III Jornada de Trabalhos feitos pelos alunos formando intitulado De um Curso a Um Discurso.

Ressalto que estava apenas no 4 período do curso e fui agraciada com várias publicações pela densidade dos textos desenvolvidos.

#Psicanálise #Freud #Lacan